| TV DIGITAL
O que dá Audiência é Conteúdo. Essa é uma verdade absoluta para mídias de massa, que a SET demonstrou em São Paulo no dia 30/03/2007, quando realizou o evento TV Digital em um único dia, mas com foco claro e bem definido: FORUM do SBDTVD-T (Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre). Dez dias antes do evento as inscrições se encerraram e os organizadores tiveram que dizer aos interessados que espaço físico fechado é limitado em área e volume. Dividido em três módulos – Estrutura do FORUM/Recepção, Canalização e Especificações – as mesas redondas foram coordenadas, respectivamente por ROBERTO FRANCO, LILIANA NAKONECHNYJ e FERNANDO BITTENCOURT, todos membros do FORUM. FERNANDO PELÉGIO do SBT e Diretor de Eventos da SET coordenou o desenvolvimento desse Congresso especial.
ROBERTO FRANCO do SBT, Presidente do FORUM e da SET abriu o evento dando as boas vindas ao público presente; justificou a criação do mesmo como uma dívida da SET com seu público que necessitava de uma atualização sobre os caminhos que estão traçados para implantação da TV Digital (TVD) no Brasil. Fez um retrospecto da evolução tecnológica para concluir da necessidade de se criar Sistemas/Padrões onde a interoperabilidade é crucial para o funcionamento de qualquer sistema baseado em alta tecnologia. Sem eles cria-se o caos e acabam:
- a previsibilidade para definir investimentos;
- as regras para a competitividade e;
- a garantia que o sistema terá evolução.
Quem lucra é a sociedade como um todo. Foi nesse cenário que surgiu o FORUM para implantar a TV Digital no Brasil e garantir sua perenidade qualquer que seja a tecnologia que for desenvolvida. O FORUM, que foi criado em 23/11/2006, é uma sociedade civil, aberta, privada e sem fins lucrativos criado para assessorar o Comitê de Desenvolvimento do SBDTV da Presidência da República (Decreto Nº 5.820 de 29 de junho de 2006 publicada no DOU em 30 de junho de 2006. ). Roberto explicou o organograma do FORUM que tem na Assembléia Geral, o seu Órgão máximo e com poder de decisão. O fluxo sempre procura o consenso. Descreveu os Módulos com seus respectivos Grupos de Trabalho, que podem ser criados sempre que necessário. Até o presente o FORUM já tem Entidades Associadas, a primeira versão das normas, mais de 1100 páginas e mais de 10.000 homens-hora de trabalho.
Para compor a mesa redonda de debates ROBERTO contou com a participação dos seguintes profissionais:
ANDRÉ BARBOSA da Casa Civil – Destacou: O trabalho das Universidades, A importância da TV, Os testes feitos pelo grupo ABERT/SET, A postura da Indústria, A escolha do ISDB que é a prova de futuro, A equipe do Governo e lembrou que a primeira transmissão do SBDTVD-T deverá ser dia 02/12/2007 por ser o primeiro domingo de dezembro.
ROBERTO MARTINS do MiniCom considerou o FORUM o coroamento de todo trabalho desenvolvido. Lembrou que a TV Digital não é só tecnologia, explicou o decreto para consignação de canais, justificou os 10 anos para transição do analógico para o digital e confirmou 02/12/2007, escolhida por consenso, para a primeira transmissão a ser feita em São Paulo. Disse que o Governo é observador. Elogiou a caráter privado do FORUM, o ISDB e a forma como ele foi escolhido.
AUGUSTO GADELHA do Ministério da Ciência e Tecnologia trouxe uma visão de futuro para o SBDTVD-T inclusive os novos recursos financeiros alocados para a participação do nosso mundo acadêmico. Foram R$ 60 milhões na primeira fase e mais R$ 80 na segunda, onde R$40 deles já está assegurado. Acredita que o processo escolhido colocou o SBDTVD como o melhor do mundo; o próximo passo é a implementação. Falou sobre os novos investimentos do governo em tecnologia, como Biodiesel, Nanotecnologia, Chips etc. Quer fazer parcerias com os japoneses para as áreas de Treinamento, Pesquisa e Formação de Recursos Humanos. Considera as Redes de Alta Velocidade a tecnologia do futuro
MANOEL LOUZADA do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Explicou a política industrial do Governo, que na verdade é de produção. Conceituou SABEDORIA como a capacidade de usar bem o conhecimento em benefício da sociedade. Falou nos pontos do PAC que desoneram alguns itens da TV Digital. Disse que o Ministério quer gerar riquezas para distribui-las. Citou chips, softwares e displays como tecnologias que o Brasil precisa investir para garantir a convergência e alavancar a competividade. Falou em capital de risco como um processo cultural. O Ministério trabalha com Qualidade e Propriedade Intelectual e vai colocar as normas da TV Digital como sendo nacionais, via ABNT. Vai trabalhar para convencer os países vizinhos a adotarem o ISDB.
RODRIGO ALEXANDRE CARVALHO do Ministério das Relações Exteriores relatou as ações do seu Ministério no sentido de convencer os países da América do Sul a adotarem o ISDB. Estão usando a estrutura do Itamarati em cada país para divulgar o ISDB. Fizeram um verdadeiro “Road Show”. Descreveu os cenários de CHILE (já estava quase decidido por outro sistema, mas incluiu o ISDB na disputa. Vieram ao Brasil e os japoneses estiveram lá. PERÚ vai fazer seminários para decidir. COLÔMBIA gostou dos aplicativos. EQUADOR ficou entusiasmado. VENEZUELA gostou dos aplicativos, mas há problemas políticos que criam retardos. PARAGUAI foi visitado por técnicos, BOLÍVIA ainda está insipiente em tecnologia. ARGENTINA e URUGUAI As reuniões na ARGENTINA e URUGUAI foram produtivas. O governo japonês é parceiro do MRE nessa atividade.
Nessa mesa redonda as perguntas foram nas áreas de TV Pública, Inclusão digital, Produção independente, Regionalização e Exportação da nossa cultura.
Na segunda Mesa Redonda conduzida pelo ROBERTO o assunto foi RECEPÇÃO e os convidados foram: CARLOS FRUCTUOSO da LINEAR, LAERCIO CONSTANTINO da TOTVS, MARCELO ZUFFO da USP e MORIS ARDITI da GRADIENTE, que abriu o iniciou os debates elogiando o FORUM com seus 85 membros, mas alertou que a indústria não pode esperar as especificações dele. Contou a evolução da TV desde a sua primeira transmissão em setembro de 1950. Hoje temos mais de 10 milhões de Parabólicas em banda C, que perderá espaço. Deu dados sobre a TV por assinatura onde o cabo tem 60%. Interatividade com canal de retorno, mobilidade e IPTV serão os killer applications da nova mídia que debutará em dezembro deste ano. Falou sobre os set-top boxe e todas as indústrias envolvidas. MARCELO ZUFFO da USP elogiou o processo do FORUM e a participação das Universidades, que gostam de trabalhar com fronteiras. Comentou a queda dos custos com o H.264 e afirmou que as normas estarão prontas em 8 meses. Quer os nossos produtos interáveis com o mundo. Finalizou dizendo que a competência técnica/gerencial das nossas Universidades, ao trabalhar no tripé Pesquisa/Desenvolvimento/Inovação, forma RH e transfere tecnologia para o mercado. LAERCIO CONSTANTINO representa a indústria de software, que vai codificar e gerar produtos. O middleware vai trazer um mundo diferente para todos. Mostrou como o software da TV Digital vai implementar a convergência. O trabalho é crescente e desafiante, mas garantiu que as novidades virão. CARLOS FRUCTUOSO da LINEAR disse que sua empresa sempre esteve presente no apoio e nas discussões do FORUM. A indústria ajudou na definição das especificações da nossa nova TV. A Linear já tem transmissores e multiplexers prontos desenvolvidos com tecnologia própria e literatura em português. No FORUM está divulgando o nosso padrão, com bons resultados, na América Latina. JOSÉ MARCELO da TV RECORD descreveu um cenário de desafios e oportunidades que a nova mídia trará. Quer desafiar a indústria para atender esse Brasil gigante com preços baixos. As Redes vão vencer o desafio, porque tomamos a melhor decisão para a nossa realidade. As Universidades precisam acelerar a transferência de conhecimento para o mundo tecnológico.
Nessa parte as perguntas focaram nos preços, aplicações específicas e segurança (DRM). Foi informado que o nosso preço FOB é mais barato, mas o CIF pode ter acréscimo de até 60%. Querem set-top boxes específicos para bancos, planos de saúde etc. Foi informado que CRTs não mais são vendidos em alguns países (Japão e Coréia, por exemplo) e que a Itália é o único pais com interatividade plena. Cad fabricante de receptor poderá customizar um set-top Box para o seu produto. Segurança dos direitos está sendo analisada em dois campos: técnico e jurídico onde o primeiro é mais caro ¹.
O segundo módulo foi coordenado por LILIANA NOKONECHNYJ, e tratou de CANALIZAÇÃO. ROBERTO SICSÚ da SAMSUNG, ROBERTO MARTINS doMiniCom e ARA APKAN da ANATEL foram os debatedores. ARA abriu o painel falando em qualidade, porque não quer pontos na tela para reduzir a audiência. O Brasil está dando ao mundo um exemplo de competência na implantação da TV Digital. Deu o cenário geral da canalização, mostrando os canais vagos e ocupados. Esclareceu a legislação vigente e as normas internacionais que orientam as decisões da Agência. Pensou em usar a faixa alta de VHF, explicou as interfer6encias dos canais “taboos”. Lembrou que nossos teste foram questionados internacionalmente, mas provamos que eles estavam corretos. Informou que a TV Digital trabalha com as curvas (50:90) e não (50:90) como na analógica. Na mesma cidade podem existir canais digitais adjacentes desde que estejam separados por menos de 2Km. As capitais e cidades com mais de 100.000 habitantes foram prioridades. Todas as geradoras estão contempladas. Alertou para os filtros que precisam de máscaras robustas. Mostrou a interferências dos canais adjacentes e a necessidade de decalar o digital para não interferir no áudio do canal analógico. A SET vai precisar ajudar nessa tarefa. ROBERTO MARTINS falou em seguida abordando os instrumentos regulatórios, consignação de canais e as ações para a transição. Vai começar com São Paulo em uma região bem definida e a expansão considera o status econômico de cada emissora. Até 30/06/2013 serão outorgados canais analógicos, se possível. Mostrou o fluxo para concessão de canais digitais e o cronograma para instalar nas capitais e grandes cidades. As retransmissoras só podem ser digitalizadas depois que as suas geradoras o forem. BENJAMIM SICSÚ fechou o painel mostrando a realidade do mercado mundial (e as previsões do nacional) de telas LCD e Plasma. O LCD deve prevalecer; o seu tamanho não é mais problema como nos CRTs, cujos modelos mais curtos ainda perdurarão porque têm 30% do mercado. A competição é muito grande e o líder nuca dispara com altos índices. Explicou a lógica dos receptores (pouco hardware no interior antes de definir) e dos set-top boxes. 16:9 para PC não era esperado, mas cresceu. Já existem set-top boxes de todos os tipos, mas o que atrapalha é falta de regras de tributação. PC popular tem incentivo; e os displays com sintonizador? Custo é ciência exata. A indústria investe em P&D com recursos próprios.
Nesse módulo as perguntas foram sobre venda de set-top boxes, promoções de Natal, incentivos fiscais (não existirão fora da Zona Franca de Manaus e não serão classificados como produtos de informática para fins de incentivos), dispositivos móveis e portáteis e canal de retorno; as redes preferem o celular, mas pode ter interfaces para outras tecnologias, inclusive WiMAX. A ANATEL está preocupada, no início, somente com as interferências; vai iniciar com poucas regras e muito cuidado com os limites. O plano vai ser ajustado, se preciso.
O último módulo do evento tratou de ESPECIFICAÇÕES (já estão sendo feitas há 7 meses) foi conduzido por FERNANDO BITTENCOURT, que lembrou como a escolha do ISDB foi feita de modo ortodoxo, graças à uma meia dúzia de abnegados. Hoje melhoramos a escolha. É um orgulho para todos. Teremos a melhor TV Digital do mundo. A inovação sempre trás ceticismo. Citou algumas profecias fracassadas sobre a TV e HDTV, sendo que para essa última o mesmo autor trocou a primeira, em um ano, de sem interesse para essencial.
PAULO HENRIQUE, responsável pelo módulo, iniciou sua apresentação agradecendo a todos os coordenadores dos vários sub-módulos. A seguir deu as diretrizes gerais que orientam o trabalho, a saber:
- Especificar somente o necessário;
- Evitar criação de legado;
- Seguir o decreto;
- Garantir a interoperabilidade;
- Recursos mínimos;
- Custos do receptor;
- Robustez sistêmica;
- Aderência às normas ARIB;
- Discutir todos os tópicos com os japoneses.
Descreveu o ISDB e mostrou os blocos do ISDB Brasileiro. Listou os blocos do módulo com os respectivos responsáveis:
1 – Transmissão terrestre: GUNNAR BEDICKS JÚNIOR do Mackenzie.
1.1 – Canal e Modulação
Colocou os dados da canalização brasileira nas normas;
Mostrou a máscara dos canais.
1.2 – Codificação de áudio e vídeo
Especificou ferramentas e padrões. É não aderente à norma ARIB; usamos o H.264 e não o MPEG2. Escolhemos níveis e perfis dentro da norma (HP@L4.0). No áudio teve controvérsia. O MPEG4-AAC seria o ideal, mas surgiu o legado do Dolby. Ficou o AAC porque o Dolby ia demorar. Definido 30 Q/s no celular.
1.3 – Multiplexação e SI – CARLOS FINI da TV Globo SP.
O foco foi multiplexer com sincronismo; ele mostra a classificação do conteúdo, por gênero e subgênero colocado na tabela. Colocou-se também o público educativo. Criou-se o Canal virtual para identifica-lo e garantir a usabilidade.
1.4 – Receptores – AGUINALDO SILVA do Instituto Genius.
Especificou o conjunto de características essenciais aderentes à norma ARIB. Já tem recomendações de uso e interpretação de parâmetros. Upgrade de software é opcional (envia uma nova versão e o receptor e ele se atualiza). O canal de retorno pode ser qualquer tecnologia com porta USB. A UNICAMP colaborou muito.
Rx MÓVEL – Tem que decodificar todos os formatos e entender a HD. Remoto com interoperabilidade é opcional.
2 - Gestão de Diretos Autorais –MARCELLO ZUFFO da USP.
Aderente ao ARIB. Criptografia na fonte somente se faltar na legislação. Cópia em. HD fica restrito, mas em SD será permitido (atende o analógico).
3 – Middleware/Ginga – LUIZ FERNANDO G. SOARES da PUC/Rio.
Deu o status atual do GINGA, mas antes recordou alguns conceitos importantes,
Que orientam o trabalho. Monomídia é tudo, exceto Áudio e Vídeo; Multimídia é monomidia mais Áudio e Vídeo. O GINGA é a camada adicional do nosso middleware, que vai dar suporte ao paradigma. O Procedural especifica a aplicação passo-a-passo, enquanto o Declarativo dá a intenção final e a máquina executa. O último é mais fácil de desenvolver, mas as linguagens precisam de foco específico; os dois terão que conviver dentro do middleware. A sincronização temporal é crítica nas aplicações. Para gerenciar múltiplos dispositivos precisa de tratamento pessoal (a interatividade aparece no dispositivo e não no televisor); o usuário adapta o conteúdo. Uma aplicação em PoA contempla isso nos ônibus que vão informando as facilidades nos próximos pontos; quem quiser, desce. Contou a história do middleware, que começou em 1997 com o conceito de Hypermedia. Em 1991/1992 iniciou o desenvolvimento no Brasil, que se destacou no mundo. Quando surgiu a JAVA, o middle ficou pesado e o MHEP foi alterado. O DVD falhou porque tinha de fazer o download do software. O padrão japonês aproveitou os erros da mistura JAVA e HTML, para fazer o BML, mas ficou pesado. Em 2005 a nossa Academia aceitou o desafio de fazer um middle eficaz e surgiu o GINGA, que é declarativo e procedural; a sua linguagem é o LUA 5.1 e chega a ser 40X superior aos outros.
As perguntas nesse módulo abordaram os Códigos Corretores de Erros (FECs e Reed-Solomon, que são aderentes ao ARIB, mas as nossas Universidades estudam alternativas);
Canal Virtual e o fim do Simulcast (os canais devem ser identificados, mas a norma não quer deixar legado).
O GINGA já está aprovado, tem 2 perfis, e está embarcado em vários set-top boxes. Na Europa o desenvolvimento do middleware não teve final muito feliz e não passa em todos os receptores. O padrão é aberto, mas o uso depende de licença. www.ginga.org.br
Acessabilidade para deficientes surdos, mudos etc.
O site do FORUM ainda não é público; quando for a sociedade será avisada.
Euzebio Tresse
Consultor
09/04/2007
(1) – mas o segundo é muito lento no Brasil (opinião pessoal do autor)
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